GVAgro: viabilidade do confinamento na redução de emissões deve ser questionada

Eduardo Assad apresenta na tarde desta terça-feira, 22, em São Paulo, o projeto “Intensificação da pecuária brasileira: seus impactos no desmatamento evitado, na produção de carne e na redução de emissões de gases de efeito estufa”

São Paulo, 22/3 – A eficiência do confinamento de bovinos na redução de emissões de gases do efeito estufa deve ser questionada, defendeu o pesquisador da Embrapa e professor da GVAgro, Eduardo Assad, que apresenta na tarde desta terça-feira, 22, em São Paulo, o projeto “Intensificação da pecuária brasileira: seus impactos no desmatamento evitado, na produção de carne e na redução de emissões de gases de efeito estufa”.  

Assad baseia seu argumento no tamanho do rebanho de algumas propriedades, que, com muitos animais no plantel, tornaria inviável economicamente a prática do confinamento.

O estudo avalia a aplicação das técnicas de agricultura de baixa emissão de carbono (ABC) para desenvolver a pecuária no País, com a recuperação de áreas degradadas e aumento da produtividade da terra, sem a necessidade de abertura de novas áreas.  Entre as técnicas utilizadas na ABC estão por exemplo a integração lavoura-pecuária-floresta, onde a adubação destinada à lavoura serve na sequência para adubar o pasto na mesma área e assim sucessivamente.  

A floresta, cujas mudas são instaladas desde o início, vem como renda adicional ao produtor alguns anos depois, no mesmo local.  Ou seja, amplia-se o uso da mesma terra, mantendo-a sempre coberta com vegetação, recuperando áreas degradadas e sequestrando carbono, garantindo renda extra e evitando mais desmatamentos.  

Assad apresentou um vídeo que mostra um grande rebanho sendo manejado num pasto degradado no Cerrado brasileiro.  “O que é mais fácil, o que seria mais eficiente nos próximos 20 anos?  Aplicar uma política de recuperação desses pastos ou confinar o gado?”, questionou.

 Segundo ele, porém, ainda não há consenso acadêmico de que a adoção dessas práticas conservacionistas seja rentável para os produtores.  “Estamos estudando uma forma atrativa para o pecuarista migrar para o sistema ABC.”  

Assad diz, porém, que é certo que a pecuária precisa elevar sua taxa de lotação, que atualmente está em torno de 1 cabeça por hectare.  

 

Fonte: Estadao Conteudo

 

Data da publicação: 22/03/2016

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