Aumento do desmatamento na Amazônia Legal está ligado à agropecuária

Desflorestamento por corte raso cresceu 29% e tem maior índice desde 2010

Aumento do desmatamento na Amazônia Legal está ligado à agropecuária

O desmatamento na Amazônia Legal por corte raso teve um crescimento de 29% em 2016, segundo estimativas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De acordo com dados do Prodes – sistema de monitoramento por satélite – foi registrada uma taxa de 7.989 (km2) de desmatamento entre agosto de 2015 a julho deste ano, o maior índice desde 2010.

O aumento no desflorestamento da Amazônia está ligado à expansão da agropecuária, segundo Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima. “A análise do último período coberto pelo Prodes mostra que pelo menos dois terços do desmatamento na Amazônia Legal aconteceu em áreas que aderiram ao CAR [Cadastro Ambiental Rural], um indicativo de que o desmatamento está acontecendo também para conversão agropecuária”, disse. O CAR é um registro eletrônico, obrigatório para todos os imóveis rurais, que forma uma base de dados justamente para auxiliar o monitoramento e combate ao desmatamento das florestas.

O Pará teve a maior taxa de corte raso no período, com 3.025 km2 de sua área devastada. Mato Grosso ficou em segundo lugar, com 1.508 Km2, apesar de ter apresentado queda em relação à 2015. O Amazonas surpreendeu e desmatou 54% mais do que o registrado entre 2014 e 2015, hoje com 1.099 km2. Outro estado com índice alto de desmatamento é Rondônia, com 1.394 Km2.

Todos esses estados estão inseridos no Cadastro Ambiental Rural. Segundo o último boletim do CAR, divulgado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB) em outubro, o Pará tem 99,09% de sua área cadastrada, Mato Grosso 93,38% e Rondônia e Amazonas já estão em 100%.

Tasso ressaltou ainda que, historicamente, os dados oficiais dos sistemas Prodres e TerraClass do Inpe indicam que as áreas desmatadas são, em sua maioria, convertidas em atividades agropecuárias principalmente para a pecuária. “Parte do desmatamento se dá como forma de valorização da terra também para o uso agropecuário. Vale notar ainda que a atividade de exploração predatória da floresta para produção de madeira está ligada à degradação florestal, que não é medida nas taxas de desmatamento”, observou.

O coordenador do SEEG já havia declarado que o crescimento do desmatamento em 2016 deve representar um aumento de 130 milhões de toneladas de gás carbônico nas emissões brasileiras, o que equivale a tudo que emitiu em 2015 o Estado de São Paulo. Segundo ele, a área desmatada é o dobro da meta que o Brasil fixou para 2020, de reduzir o desmatamento na Amazônia em 80%, para 3.925 km2.

Em nota, o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, declarou que a nova fase do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal deve ampliar o diálogo com os estados e os setores produtivos e que será elaborada uma lista de municípios prioritários na Amazônia e no Cerrado para a adoção de medidas de prevenção e controle do desmatamento. “Embora necessários, instrumentos de comando e controle têm alcance limitado, sendo indispensável o desenvolvimento de alternativas econômicas”, reconheceu.

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