Especialistas debatem relação entre Plano ABC e NDC brasileira

Especialistas debatem relação entre Plano ABC e NDC brasileira

Discussão trouxe questões do Plano ABC e abordou dados dos estudos lançados pelo Observatório ABC

O evento de lançamento de dois novos estudos produzidos pelo Observatório ABC, apresentados na última quarta-feira (27/9), em São Paulo, foi marcado pelo debate – mediado por Angelo Gurgel, coordenador do Observatório – entre André Nassar, diretor de Estratégia e Novos Negócios do Agroicone, Celso Manzatto, responsável técnico da Plataforma ABC da Embrapa e Pedro Alves Correa Neto, diretor do Departamento de Desenvolvimento das Cadeias Produtivas e da Produção Sustentável do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Os especialistas fizeram contribuições aos estudos Impactos Econômicos e Ambientais do Plano ABC e Análise dos Recursos do Programa ABC e debateram questões relacionadas ao Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) e Programa ABC, linha crédito oficial para financiar o Plano.

De acordo com Manzatto, o Programa ABC está associado ao cumprimento das metas assumidas pelo Brasil no Acordo de Paris e é necessário pensar para além das metas voluntárias do ABC. “O trabalho desenvolvido pelo Observatório ABC é extremamente importante e oportuno, porque estamos em um momento de pensar o pós-ABC. Os desafios que teremos pela frente com a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) representam um esforço adicional”, afirma. Segundo o pesquisador, com a NDC, em 2035, o país terá que voltar suas emissões à década de 1990. “Se nós somarmos as metas voluntárias às metas assumidas, estamos falando da recuperação de quase 70 milhões de hectares. Isso nos diz que é um desafio relevante do ponto de vista econômico e ambiental”, completa.

Para Neto, a linha de crédito disponibilizada pelo Programa ABC é um instrumento fundamental para o acordo mundial, entretanto, é preciso pensar além dele. “O ABC está inserido no conceito de política pública e é um dos elementos que pode nos levar ao cumprimento das metas. Mas é preciso atentar e explorar, também, o mercado de crédito atualmente, levando em conta o cenário que o país está vivendo. Quanto mais a gente puder fazer uma análise do contexto econômico atual, olhando para todas as ferramentas que temos, mais clareza nós teremos”, disse. De acordo com o diretor do Mapa, um dos pontos cruciais para o cumprimento das metas internacionais é oferecer elementos ao produtor que o permita tomar a decisão de implementar tecnologias, utilizando os mecanismos de financiamento, além de investir no sistema de monitoramento.

Dentro desse contexto, Manzatto reitera a importância do monitoramento e afirma que é isso o que falta para o país. “Todo o esforço do Plano ABC até hoje não foi contabilizado. Nós precisamos mostrar que temos uma agropecuária sustentável e, para isso, precisamos ter números e informações”, ressalta.

Além disso, os especialistas avaliaram os dados revelados pelos estudos e abordaram os cenários estabelecidos sobre os investimentos brasileiros em pastos degradados e iLPF, seguindo os critérios de áreas prioritárias e áreas de livre alocação. Para Nassar, um dos focos a serem seguidos no momento é na facilitação ao crédito. “É importante observar que o montante do BNDS está crescendo, nós estamos em uma fase positiva e precisamos pensar quais as tecnologias que queremos financiar. O estudo do Observatório mostrou que há impactos ambientais, maiores que o programado, e que há uma lógica de demanda. Mas o financiamento ainda é complicado”, afirma.

 

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