Estudos voltados à agricultura trazem água virtual e relação entre produtividade e mudanças climáticas

Estudos voltados à agricultura trazem água virtual e relação entre produtividade e mudanças climáticas

Pesquisadores apresentam dados preliminares de suas pesquisas em evento em São Paulo

Uma simulação dos impactos econômicos de uma seca em São Paulo pode resultar em uma redução de 10% da produtividade da agricultura, de acordo com o pesquisador e mestrando em economia Bruno Souza, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). O dado faz parte de seu estudo, ainda em desenvolvimento, que busca responder como as mudanças climáticas podem afetar a produtividade agrícola.

“O objetivo do estudo é, de uma maneira mais aprofundada, analisar quais são as regiões brasileiras mais ou menos vulneráveis, em termos de produtividade, às alterações climáticas”, afirma. “Uma vez estabelecida essa relação em produção e clima, a ideia é gerar choques de produtividade com projeções de mudanças climáticas para tentar analisar como algumas culturas, como a soja, milho e café serão afetadas”, completa.

Souza explica que há custos diretos e indiretos nesse processo. “Se a cana-de-açúcar perde 20% de sua produtividade por conta das mudanças climáticas, por exemplo, os produtores serão afetados. Mas, além deles, também é possível pensar nas refinarias e como isso pode influenciar no preço dos combustíveis. A perda na produtividade pode se propagar para diversos setores da economia”, afirma.

Apresentado durante o seminário Discussão de projetos de pesquisa em Economia e Meio Ambiente, promovido pela Cátedra Economia e Meio Ambiente – iniciativa do Instituto Escolhas, em parceria com o Insper – o estudo trará, em seus próximos passos, a elaboração de cenários para avaliar as várias trajetórias de temperatura, a fim de identificar como as variáveis econômicas brasileiras vão se comportar em cada um dos cenários.

Água virtual

Além de Souza, o evento também contou com a apresentação da pesquisa de Jaquelini Gelain, economista pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), que busca traçar uma análise do custo-benefício da exportação de água virtual no setor agropecuário brasileiro, ou seja, a água incorporada em um produto durante o seu processo de produção – mais especificamente em relação aos alimentos, que são os que mais agregam água ao longo de sua cadeia produtiva.

Para o trabalho – focado apenas na agropecuária, setor que mais consome água no país –, a economista trabalhará com produtos como açúcar, café, milho, soja e boi. “O Brasil tem mais custos ou benefícios ao exportar esses produtos? A hipótese que norteará o meu trabalho é que o país tem mais benefícios ao fazer essas exportações”, conta. Outra questão a ser respondida por Gelain é sobre quais políticas públicas poderiam ser elaboradas para haver uma melhor gestão da exportação dessa água. “Existem países que compram do Brasil, mas têm um alto valor de recursos hídricos e, em contrapartida, muitos países com baixa dotação de água importam muito pouco. A ideia é expandir o número de acordos comerciais para fazer um melhor direcionamento, principalmente para os países com poucos recursos hídricos”, explica.

Gelain explica que o objetivo principal de sua análise é apontar para uma utilização mais consciente dos recursos e que isso envolve a precificação da água. Segundo a economista, é preciso fazer a monetização da água para obter a relação de custo-benefício. “O preço da água pode ser um incentivo de conservação. Tendo um valor muito baixo, seu uso passa a ser irracional. Na Europa, por exemplo, existe muito subsídio para os agricultores e, por isso, a água é utilizada de forma indiscriminada, não há rigorosidade para economizar”, afirma.

 

 

 

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