Sistema iLPF alcança produção de 40,6 @/ha/ano

Sistema iLPF alcança produção de 40,6 @/ha/ano

Número apontado por pesquisa é quase sete vezes maior que a média nacional

Uma pesquisa da Embrapa Agrossilvipastoril, em parceria com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) e Associação dos Criadores do Norte de Mato Grosso (Acrinorte), conseguiu alcançar uma média de produtividade quase sete vezes maior do que a média nacional com bovinos Nelore a partir do sistema integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF), e resultou em 40,6 arrobas por hectare (@/ha/ano) nesse ano. No ciclo passado, o mesmo sistema registrou 32 @/ha/ano, segundo informou matéria publicada pelo Portal DBO. O iLPF é uma das tecnologias do Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) e financiadas pelo Programa ABC.

Além do iLPF, o estudo também avaliou sistemas com integração lavoura-pecuária (ILP), pecuária-floresta (IPF) e apenas pecuária. Estes registraram produção média de 30@/ha/ano. A média nacional é de 6@/ha/ano e a de Mato Grosso fica em 4@/ha/ano. “Esse experimento mostra que a pecuária pode ir muito além de onde está”, afirma Bruno Pedreira, pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril.

O resultado da avaliação, feita entre julho de 2016 e julho de 2017, mostrou como a intensificação da tecnologia usada na pecuária, com aumento de adubação e da suplementação proteinada, podem resultar em ganhos de produtividade. No ciclo 2 do experimento, a adubação passou de 50 kg/ha (NPK) para 100 kg/ha e a suplementação alimentar também dobrou, de 0,1% do peso vivo ao dia para 0,2%.

De acordo com Pedreira, apesar de resultar em maior produção de forragem em todos os sistemas, o aumento da adubação teve maior impacto na pecuária exclusiva e na IPF. Na pecuária, houve um aumento de 56% no acúmulo de forragem e na IPF de 36%, com ambos os sistemas produzindo cerca de 20 toneladas/ha por ano. Ainda assim, a produção na ILP (22 ton/ha) e na ILPF (25 ton/ha) foi maior. “No primeiro ano já tínhamos um residual de adubação da lavoura na ILPF e na ILP. Então, eles já estavam produzindo bem. Ao colocar 100 kg de NPK, a capacidade de produção se mantém ou ainda incrementa. A pecuária e a IPF nunca foram lavoura antes, então quando entramos com esses 100 kg de adubação, a variação é maior do que nos outros sistemas”, explica.

Para o pesquisador, os dados obtidos no segundo ano de avaliação ressaltam o efeito benéfico do maior uso de tecnologia e da profissionalização da atividade para a obtenção de melhores índices, e mostram que mesmo a pecuária exclusiva pode ser muito mais produtiva. “Levando em conta que temos muitas áreas no país em que a agricultura não é uma possibilidade, o silvipastoril não é viável, por impedimentos de mecanização ou de logística, esses números trazem a possibilidade de fazer um sistema produtivo de pecuária tradicional. Desde que busque o manejo de pastejo de maneira muito coerente. Esse nível de desempenho animal, mesmo que com suplementação, é muito associado ao bom manejo do pastejo”, afirma.

Ele ainda afirma que o pecuarista pode intensificar um terço da propriedade e trabalhar com o restante de forma mais tradicional. “Assim eu posso fazer ajuste da taxa de lotação. Em um terço, faço pecuária muito bem-feita, na forma mais empresarial possível, e consigo entre 30 e 40@/ha/ano. Nas outras áreas, fico perto da média nacional. Com isso, já consigo elevar a média da minha fazenda para mais de 13@/ha/ano”.

 

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