Estudos do Observatório ABC ganham espaço e são destaques em debate sobre Plano ABC

Estudos do Observatório ABC ganham espaço e são destaques em debate sobre Plano ABC

Pesquisas foram repercutidas pelo jornal Valor Econômico e trazem resultados e desafios para a agricultura de baixo carbono

O Valor Econômico publicou, na última terça-feira (17/10), uma matéria sobre os dois estudos recém-lançados pelo Observatório ABC. O estudo Impactos Econômicos e Ambientais do Plano ABC é o primeiro trabalho a mensurar os custos econômicos e os benefícios ambientais para a implantação do Plano ABC. Já a pesquisa intitulada Análise dos Recursos do Programa ABC traz uma atualização da contratação pelos produtores rurais desta linha de crédito para a agricultura de baixo carbono no ano-safra 2016/2017.

Desde que iniciou operações, na safra 2010/2011, foi disponibilizado, por meio do Programa ABC, um total de R$ 23,4 bilhões com juros subsidiados, mas somente 63% foram efetivamente utilizados pelos produtores rurais para adotar novas técnicas. O número de contratos aprovados na safra 2016/17 diminuiu 28% em relação ao período anterior e, como reflexo da baixa demanda e da retração da economia brasileira, o volume de recursos para financiamento do plano tem diminuído ano a ano.

Além disso, de acordo com a matéria, os objetivos do Plano ABC estão atrelados ao compromisso do país para redução das emissões de carbono, no âmbito do Acordo de Paris. Dados da plataforma SEEG indicam que a agropecuária corresponde a 30% dos gases de efeito-estufa lançados pelo Brasil e, sem investimentos na mudança produtiva, dificilmente a meta nacional poderá ser atingida. “Falta mecanismo para monitorar os efeitos do plano, ajudando produtores a reconhecer o modelo e validando lá fora os números nacionais”, afirmou Angelo Gurgel, coordenador do Observatório ABC, em entrevista ao Valor.

Para Annelise Vendramini, pesquisadora do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces), da Fundação Getulio Vargas (FGV), “perderemos a oportunidade da vantagem competitiva, ao não preparar o setor de forma mais ampla para a fronteira do baixo carbono”, lembrando que o Plano ABC prevê a ampliação dos sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) em 4 milhões de hectares. O modelo inclui a intensificação da pecuária, com menor desmatamento e aumento da produtividade. Hoje o país tem em média 0,7 cabeça de gado por hectare, enquanto o ideal, segundo pesquisadores, é chegar a cinco.

A partir dos dados obtidos com os estudos, o Observatório ABC estima que o cumprimento das metas de recuperação de pastagens e iLPF possibilitaria alcançar uma redução do equivalente a até 51,8 milhões de toneladas de carbono ao ano, o que representa entre 32% e 39% da meta total do plano para o agronegócio. Para isso será necessário um montante de R$ 39 bilhões – duas vezes e meia menos que valores estimados inicialmente pelo governo federal.

Para Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e coordenador do Centro de Estudos do Agronegócio, da FGV, no entanto, as ações não ocorrem no ritmo necessário. “No baixo carbono, a palavra de ordem é integrar sistemas produtivos, cenário que exige mudanças na gestão e preparativos para novos investimentos”, disse.

 

Comentários

Compartilhe