Linha de crédito para agricultura de baixo carbono tem apenas 63% de recursos contratados na safra 2016/17

Linha de crédito para agricultura de baixo carbono tem apenas 63% de recursos contratados na safra 2016/17

Estudo do Observatório ABC faz balanço do Programa ABC na safra 2016/17

O Programa ABC, linha de crédito do Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), vem perdendo força no seu papel frente ao atingimento das metas nacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) do setor agrícola, de acordo com resultados do estudo Análise dos Recursos do Programa ABC, lançado no último dia 27/9, pelo Observatório ABC e coordenado por Mario Monzoni, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces).

Segundo Annelise Vendramini, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, na safra 2016/17 foram disponibilizados para o Programa ABC R$ 2,9 bilhões, 3% menor do que na safra anterior (2015/16), que contou com R$ 3 bilhões. Do total ofertado para o Programa ABC, foram contratados pelos produtores rurais 63% (R$ 1,81 bilhão), enquanto na safra anterior (2015/2016) esse percentual foi de 68% (R$ 2,05 bilhões).

Esta edição do relatório traz um histórico do programa e uma análise de seu papel para o atingimento das metas de redução de emissões nacionais. Além disso, conta com uma reflexão sobre desafios do Programa ABC relacionados à capacitação e à divulgação dos bons resultados econômicos para os produtores que acessam o financiamento. Para isso, o relatório ainda traz dois casos de sucesso que podem servir de exemplo para a aplicação das recomendações do estudo.

Desde o início do Programa ABC (safra 2010/11), foram desembolsados R$ 15,64 bilhões, de um total disponibilizado de R$ 23,45 bilhões, valor que praticamente inviabiliza a realização do previsto inicialmente no Plano ABC: aplicação de R$ 157 bilhões via crédito rural até 2020. Para o período 2017/18, o governo federal anunciou nova redução do montante do Programa ABC, com um total de R$2,13 bilhões (redução de 26,5% em relação à safra 2016/17).

“Estes gargalos do Programa fazem com que o Brasil não exerça o potencial máximo de suas iniciativas. Um dos pontos para dar escala ao programa, é ser capaz de convencer os produtores rurais de que as práticas de baixo carbono podem dar retornos econômicos, além dos benefícios ambientais. Este tipo de entendimento pode vir com a divulgação do Programa ao seu público de interesse”, afirma Angelo Gurgel, coordenador do Observatório ABC.

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