Coalizão Brasil Clima buscou aproximação com governo, setor financeiro e academia em 2017

Coalizão Brasil Clima buscou aproximação com governo, setor financeiro e academia em 2017

Projetos de membros da iniciativa visaram a trazer novos dados e transparência para a gestão do uso da terra no país

Uma maior aproximação com o governo, tanto executivo quanto legislativo, setor financeiro e academia marcaram o ano da Coalização Brasil Clima, Florestas e Agricultura, inciativa que há três anos reúne empresas e sociedade civil para articular e facilitar ações voltadas para conciliar produção agrícola e conservação ambiental. Além disso, a Coalizão participou ativamente da Conferência de Clima da ONU (COP-23), realizada em Bonn (Alemanha), promovendo o diálogo também com organizações e governo de outros países.

Na sua segunda plenária do ano, realizada nesta semana, essa iniciava que reúne mais de 150 participantes, entre empresas e organizações da sociedade civil, fez um balanço de 2017 e anunciou seus planos para 2018, que incluem a produção de um documento voltado aos candidatos às próximas eleições abordando os pontos de vista da Coalizão sobre segurança alimentar e mitigação das mudanças climáticas. As sugestões serão baseadas nos 10 compromissos da iniciativa, que são: reduzir as emissões de gases de efeito estufa, combater o desmatamento, implementar o Código Florestal, Conservar e restaurar os biomas do país, expandir o manejo florestal sustentável, ampliar os plantios florestais em áreas degradadas, expandir a produção rural sustentável e de baixo carbono, promover uma matriz energética brasileira renovável e sustentável, valorar o carbono e os serviços ecossistêmicos e promover a transparência, o diálogo e a cooperação.

Para promover esses compromissos, a Coalizão atua por meio de grupos de trabalho formados sempre por membros da iniciativa privada e de organizações sociais, e promove as ações de seus membros que vão na direção de seus objetivos. Durante a assembleia, foram apresentados quatro desses projetos, entre eles o estudo Qual o impacto do desmatamento zero no Brasil?, do Instituto Escolhas. “Esse estudo foi pensado pelo ponto de vista do produtor, com o objetivo de procurar o diálogo. Fizemos simulações sobre o impacto de vários cenários de paralização e redução do desmatamento, e qual o seu impacto no PIB do país e dos estados, incluindo a geração de emprego. A ideia foi disponibilizar um conjunto de ferramentas para que se possa discutir se é possível parar de desmatar”, disse Sergio Leitão, diretor executivo do instituto.

Também foi apresentada a plataforma Climate Smart Agriculture Brasil, plataforma do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), centrada a difundir uma agricultura de baixo carbono, com resiliência e adaptação às mudanças climáticas, além de focada em uma maior produtividade e renda. O projeto é centrado na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), nova fronteira agrícola do país.

O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) apresentou a Imberflow, plaforma cujo objetivo é incentivar a transparência de dados nos estados da Amazônia. Para tanto, pretende conseguir a liberação de informações dos governo estaduais na região. Por enquanto, conta com os dados do Pará, que disponibilizou em seu Portal da Transparência (semas.pa.gov.br/transparência/), entre outros, dados do CAR, do Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais (Sisflora), em que o rastreamento é feito por GPS, e a Lista do Desmatamento Ilegal do Estado do Pará. Além disso, também espera contar com o levantamento de dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que está implantando seu Plano de Dados Aberto, para ter acesso aos Documentos de Origem Florestal (DOF) de todo o país.

Monitorar o que vem a acontecendo no Cerrado, bioma que concentra 50% da produção agrícola do país, mas que já está com mais de 50% do seu território desmatado é o objetivo do projeto do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Segundo o instituto, apenas 8% do Cerrado está protegido um unidades de conservação. Por outro lado, os produtores já relatam perda nas safras nos últimos oito anos por conta das mudanças climáticas.

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