COP-23 aproximou agricultura ABC e Código Florestal

COP-23 aproximou agricultura ABC e Código Florestal

Complementaridade das duas políticas fez parte dos debates em 2017

A tomada de consciência da importância da agricultura na mitigação das mudanças climáticas foi um dos pontos fortes de 2017, sobretudo no Brasil, e prova disso foi a importância que o setor ganhou durante a Conferência de Clima da ONU (COP-23), realizada em Bonn (Alemanha), no mês de novembro. “Vários eventos que aconteceram no Espaço Brasil da COP tiveram relação com o esse tema, o que mostra que a sociedade e os pensadores brasileiros passaram a enxergar o papel da agricultura de baixo carbono, mesmo que sem explicitar esse termo”, disse Angelo Gurgel, coordenador do Observatório do Plano de Agricultura de Baixo Carbono (Observatório ABC).

Para Gurgel, a convergência das discussões sobre agricultura de baixo carbono e o Código Florestal é uma realidade. “São duas políticas que afetam o produtor rural e parecem antagônicas, mas caminham juntas. Uma é voltada para a produção sustável e a outra é uma política ambiental, mas que tem efeitos produtivos positivos para o solo, a água e o clima. A agricultura ABC permite aumentar a produtividade e reduz o custo de oportunidade para o produtor para que possa cumprir o Código Florestal”, completa.

O coordenador do Observatório ABC destacou o fato dos dois assuntos aparecem juntos nos painéis da COP, o que até há pouco tempo era incomum. “Se falou de cumprimento do Código Florestal junto com intensificação da agricultura, houve evento acadêmico sobre estoque de carbono no solo, abordando as incertezas sobre o quanto o agricultor pode sequestrar de carbono, uma discussão essencial para dar credibilidade para a ABC”.

Gurgel destacou, ainda, a importância do calendário de eventos na COP preparado pela Coalização Brasil Clima, Florestas e Agricultura, inciativa que há três anos reúne empresas e sociedade civil para articular e facilitar ações voltadas para conciliar produção agrícola e conservação ambiental. Temas como o monitoramento e o financiamento da transição para a agricultura de baixo carbono, e ações climáticas e segurança alimentar também fizeram parte da programação.

O Plano ABC (a política específica brasileira relacionada ao tema) foi tema de um painel organizado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), do qual o coordenador do Observatório participou. “Entre os temas abordados no evento, estavam o potencial econômico e ambiental do Plano ABC, trazendo holofote para a importância da agricultura de baixo carbono para o atingimento das metas climáticas brasileiras. Para tanto, o crédito rural precisa incorporar mais a agricultura sustentável, para além do Programa ABC, linha de crédito que financia o Plano ABC.”

Além de Gurgel, participaram do debate o embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da Apex, Annelise Vendramini, do GVces, Renato Rodrigues, da Rede de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (Rede iLPF), Marcelo Furtado, da Coalizão Brasil Clima, Gabriel Visconti, do BNDES, Rodrigo Lima, da Agroicone, e Marcelo Vieira, da Sociedade Rural Brasileira (SRB). “A COP-23 amplificou o que já vem sendo discutido no mundo acadêmico: parar o desmatamento, ter transporte e energia sustentáveis são fundamentais para conter as mudanças climáticas, mas a agricultura precisa fazer parte do pacote de mitigação. Para tanto, precisa ser mais produtiva, menos intensiva em uso de recursos (terra, fertilizantes, química) e, com isso, reduzir ou até sequestrar carbono. Para estabilizar o clima, precisamos chegar a emissões zero e, possivelmente, ter emissões negativas. Para isso, o plantio de florestas e a agricultura podem ser ótimas fontes. O iLPF, por exemplo, é um sumidouro de carbono”, completa o coordenador do Observatório ABC.

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