Prós e Contras de Sistemas Integrados no Mato Grosso

Prós e Contras de Sistemas Integrados no Mato Grosso

Estudo faz análise comparativa de diversos sistemas de produção de soja e carne, destacando vantagens e desvantagens de cada um

Um estudo realizado por diversos pesquisadores e publicado na revista Environmental Research Letters enfatiza a existência de importantes tradeoffs entre os diversos sistemas de produção agropecuários praticados no Mato Grosso. Basicamente, o estudo buscou analisar a performance de diversos sistemas sob critérios variados, atentando para o fato que o melhor resultado de um sistema em um critério pode, necessariamente, levar a uma piora sob outros fatores.

A metodologia do estudo fundamentou-se na utilização de simulações com base em modelos matemáticos, buscando avaliar fatores econômicos, energéticos e climáticos. Tais simulações foram realizadas com base em uma propriedade de tamanho médio, representativa de fazendas do estado de MT. É importante ressaltar que os parâmetros do modelo foram ajustados através de dados obtidos com fazendeiros da região e especialistas.

Os quatro sistemas analisados foram: produção pecuária tradicional (extensiva), pecuária com rotação de pasto, integração pasto-soja e produção especializada em soja. Os pesquisadores concluíram que o sistema integrado foi aquele que teve melhor performance sob o critério de lucratividade. A maior produtividade e diversificação desses sistemas foi fator responsável por garantir uma menor variação da lucratividade em cenários climáticos desfavoráveis. Seguindo o sistema integrado, temos a produção especializada de soja, que, sob clima desfavorável, sofreu maiores oscilações. Entretanto, é necessário ressaltar que, sob os critérios de emissões de gases do efeito estufa, produtividade de proteínas, uso de energia e água, o sistema especializado na soja teve resultados superiores aos do sistema integrado. Os sistemas de rotação e extensivo foram, no geral, inferiores aos outros dois sistemas.

Esses resultados indicam os tradeoffs existentes na escolha de um sistema de produção. Embora a integração pasto-soja tenha os resultados econômicos mais expressivos, a emissão de gases do efeito estufa é superior ao do sistema especializado (fato esperado, já que a criação de bovinos tende a gerar uma maior produção de gases, como o metano, em comparação com sistemas puramente agrícolas).

Dessa forma, deve-se considerar todas essas nuances para a escolha de um modelo produtivo ideal. Embora a produção especializada em soja seja, aparentemente, menos agressiva ao meio ambiente, a adoção desse tipo de produção como ideal pode não ser uma boa escolha. A produção de um único gênero agrícola pode deixar os produtores expostos a mudanças bruscas no preço da soja e tornar a produção extremamente dependente da situação climática. Além disso, o estudo não levou em conta o efeito da monocultura sobre a fertilidade do solo e incidência de pestes, fatores que poderiam afetar a análise do sistema.

Os pesquisadores indicam que a produção integrada pode ser a melhor alternativa para a região (pelo menos para locais em que a integração é viável), já que o sistema melhora a produtividade de pastagens, aumenta a lucratividade das fazendas e pode ajudar recuperar áreas degradadas, sendo, por isso, um modelo capaz de combater os persistentes problemas de pobreza e degradação do solo em algumas áreas do MT.

Para acessar o estudo:http://iopscience.iop.org/article/10.1088/1748-9326/aac4d1/meta

Autores do estudo: Gil, Juliana D B ; Garrett, Rachael D; Rotz, Alan; Daioglou, Vassilis; Valentim, Judson; Pires, Gabrielle F; Costa, Marcos H; Lopes,Luciano and Reis, Julio C.

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