Sistemas Integrados: Prós e Contras

Sistemas Integrados: Prós e Contras

Estudo analisa diversos aspectos de sistemas de produção agropecuária

Um estudo publicado no periódico científico Agroforestry Systems no último dia 27 analisou diferentes sistemas de produção agropecuária. O estudo foi conduzido por pesquisadores brasileiros na fazenda da Embrapa Agrossilvipastoril em Sinop (MT). A fazenda localiza-se no bioma amazônico. Segundo os autores, a pesquisa tem caráter pioneiro, já que é, possivelmente, o primeiro estudo a comparar diferentes sistemas de produção na fronteira agrícola da região Sul Amazônica.

O estudo teve início no fim de 2011 e, inicialmente, focou-se na produtividade agrícola dos diversos sistemas. Para tanto, as terras da fazenda foram divididas em blocos e, em cada bloco, um tipo específico de sistema foi aplicado. Apenas em 2015 o gado foi introduzido nos diferentes sistemas. Entre julho de 2015 e julho de 2016, a produtividade do gado foi avaliada diariamente através de diferentes indicadores.

Os resultados obtidos após o fim do experimento apontaram conclusões interessantes a serem consideradas. Durante os primeiros três anos analisados, os sistemas integrados (ILPF, ILP e IPF) não apresentaram perdas na produtividade agrícola, mas nos últimos anos estudados a produtividade sofreu uma queda em relação aos sistemas tradicionais. Isso pode ser explicado, em parte, pelo fato de sistemas integrados com árvores diminuírem a área de penetração solar, prejudicando o desenvolvimento das plantas. Dessa forma, os autores indicam que futuros estudos devem concentrar-se na busca por culturas mais adaptadas a ambientes mais escuros, possibilitando maior sinergia com os sistemas integrados.

Apesar dessa desvantagem, os pesquisadores identificaram que a produção de carne nos sistemas integrados ocorreu de forma mais eficiente. Portanto, parece existir um trade off entre a produtividade agrícola e a produtividade do gado.  O sistema ILPF foi aquele capaz de proporcionar um maior ganho de peso diário do gado e uma maior taxa de lotação (a taxa de lotação é definida pelo quociente entre o número de unidades animais da propriedade – cada UA corresponde a um bovino de 450kg – e área ocupada pelo gado). O ganho de peso diário registrado em ILPF foi 38% superior ao de sistemas tradicionais (com produção exclusiva de gado). Além disso, as árvores do sistema integrado ajudam a proporcionar um microclima adequado para o rebanho, possibilitando temperaturas mais amenas, maior umidade no ar e áreas de sombra para descanso dos animais.

Por fim, os autores concluem que a rotação de culturas com pasto pode ser uma ferramenta importante para melhorar a qualidade das pastagens, a produção de carne e ajudar a otimizar o uso da terra. Além disso, a renda dos produtores e o número de empregos no campo podem ser estimulados pela introdução da pecuária no período de entressafra, aproveitando a terra em um período em que muitas propriedades ficam ociosas.

Para saber mais, acesse: https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs10457-018-0311-x

Pesquisadores responsáveis pelo estudo:

  • A. S. Magalhães
  • C. Pedreira
  • Tonini
  • Farias Neto

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