Dar escala ao ABC depende de assistência técnica

Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura quer motivar governos, setor privado e sociedade civil a investir na transferência de tecnologia 14/09/2016 - Talise Rocha

Ampliar a assistência técnica aos produtores rurais e a difusão de tecnologias é um dos mais importantes caminhos para consolidar a agricultura de baixo carbono no Brasil. Esse é o foco atual do Grupo de Trabalho de Agricultura de Baixo Carbono da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura,  iniciativa multissetorial que promove o debate para uma economia sustentável.

“Dar escala à agricultura de baixo carbono não é só uma questão de oferecer crédito rural, mas de assistência técnica. As tecnologias estão aí, mas não estão chegando aos produtores”, disse Marina Piatto, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) e membro da Coalizão. Entre os principais gargalos que o setor enfrenta atualmente, segundo a Coalizão, estão, ainda, o volume insuficiente de crédito dedicado para esse fim e o escopo de capacitação dos técnicos.

Além disso, o envolvimento do setor privado precisa ser ampliado, como observou Piatto. “Eles levam as tecnologias ao campo exclusivamente para sua revenda, e não para incentivar as boas práticas de forma ampla. Queremos incluí-los nessa agenda”.

A transferência de tecnologia e assistência aos produtores é importante para dar apoio em como implementar as práticas, afirmou Juliana Monti, da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). “Sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta são novidades e, muitas vezes, complexos para serem aplicados. Hoje, temos o recurso disponível pelo Programa ABC, mas existem outras políticas públicas que também podem ser usadas para esse fim”, disse.

Evento em outubro

Para envolver as empresas, governos e a sociedade civil, o GT de agricultura de baixo carbono realizará, em Brasília, no mês de outubro, o evento “Assistência Técnica e Difusão de Tecnologia: caminhos para a consolidação da Agropecuária de Baixo Carbono” para debater a assistência técnica e difusão de tecnologias. A Coalizão pretende documentar as conclusões do evento e levá-las adiante. A ideia do evento é sair com uma carta de recomendações, indicando ao governo e ao setor privado como ampliar a difusão de tecnologias no campo. “O objetivo do evento é trazer atores de todos os setores para discutir junto, trazer a experiência de quem já tem iniciativas de sucesso, ver as lacunas e os avanços”, informou Monti.

Em julho, representantes da Coalizão tiveram um encontro com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, para discutir, entre outros temas, a importância do Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) para as metas nacionais de redução das emissões de gases do efeito estufa, assumidas no Acordo de Paris. Na ocasião, o ministro se comprometeu a dar apoio aos pequenos produtores em extensão rural. “O diálogo aberto é um primeiro passo para uma agenda conjunta. João Campari, assessor especial do Ministério da Agricultura, tem sido um interlocutor entre as demandas da Coalizão e o Mapa”, disse Piatto.

A Coalizão Brasil também tem se dedicado aos desafios da Reserva Legal e a transparência dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR). A iniciativa deve definir as pautas para 2017 ainda neste ano.  

 

 

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