O Observatório ABC é uma iniciativa voltada a engajar a sociedade no debate sobre a agricultura de baixo carbono, em atividade desde 2013. Coordenado pelo Centro de Estudo de Agronegócios da Fundação Getulio Vargas (GVAgro) e desenvolvido em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (GVces), tem como foco a implementação do Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC), o qual é composto por um conjunto de ações voltadas a reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na produção agropecuária, com metas estabelecidas até 2020 e parte da Política Nacional de Mudanças Climáticas e dos compromissos assumidos pelo Brasil na 15ª Conferência das Partes (COP-15), da Convenção do Clima.

O Observatório ABC monitora as ações do Plano e do Programa ABC desenvolvendo estudos técnicos para subsidiar e facilitar o diálogo com stakeholders. Até 2015, foram publicados sete estudos que avaliam a adesão da agricultura de baixo carbono no país, com análises sobre o financiamento do Programa ABC. Outro destaque é o documento com propostas para a revisão do Plano ABC, produzido a partir de consulta a diversas entidades da sociedade civil e entregue, em 2015, a ministros do governo federal.
Além dessas publicações e da promoção de discussões, especialmente sobre os esforços de diferentes setores da sociedade brasileira na transição para uma agricultura de baixo carbono, o Observatório ABC conta com uma plataforma digital como a principal ferramenta de comunicação da iniciativa, voltada a mobilizar o público por meio da produção e troca de dados e informações, estimulando, assim, a transparência e facilitando o acesso a esse tema.

Coordenação

 

Roberto Rodrigues – Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV (GVAgro) e Embaixador Especial da FAO para o Ano Internacional do Cooperativismo. Foi secretário de Agricultura do Estado de São Paulo, de 1963 a 1966, e ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de 2003 a 2006.

Ângelo Costa Gurgel – Coordenador do Mestrado Profissional em Agronegócio do GVAgro e pesquisador do CNPq, desenvolvendo trabalhos científicos e técnicos em economia do agronegócio, política comercial, política climática, modelagem econômica, biocombustíveis e mudanças no uso da terra.

Cecília Fagan Costa – Gerente do GVAgro, trabalhou no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e foi assessora executiva da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) e produtora do Programa Painel Rural do Canal Rural.


Equipe

 

Alexandre Mendonça de Barros – Engenheiro agrônomo e doutor em economia aplicada pela Esalq-USP, foi professor de Economia Agrícola da Fundação Getúlio Vargas. Foi membro dos conselhos de administração da Fosfértil, CASP, Vale Fertilizantes, Grupo Schoenmaker/Terra Viva e Coplana. É membro dos conselhos do Grupo Otávio Lage, Frigorífico Minerva, Guarita e Grupo Roncador. Membro do Comitê de Assessoria Externa da Embrapa Peduária Sudeste e do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp. É sócio-consultor da MB Agro.

Annelise Vendramini – Coordenadora do Programa de Finanças Sustentáveis do GVces. Graduada em Administração de Empresas pela PUC-SP, tem MBA em Finanças pelo Insper. É mestre e doutora em Administração de Empresas pela FEA-USP. Desde 2004 é professora de pós-graduação da Fundação Instituto de Administração em disciplinas de sustentabilidade e finanças.

Eduardo Delgado Assad – Pesquisador da Embrapa desde 1987, coordena projetos na área de mudanças climáticas e seus impactos na agricultura. É professor do GVAgro, membro do comitê científico do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas e, em 2011, foi secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Atualmente, é coordenador da sub-rede Clima e Agricultura da Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais (Rede Clima), do Ministério de Ciência e Tecnologia e Inovação.

Evandro Jacoia Faulin – Engenheiro agrônomo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), mestre em engenharia de produção pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e com MBA em administração de empresas pela Fundação Getúlio Vargas. Atua como profissional sênior na FGV projetos e coordena a produção editorial da Revista Agroanalysis, publicação de agronegócio da FVG, onde também é professor .

Felippe Cauê Serigati – Professor de macroeconomia no MBA em Gestão Estratégica do Agronegócio da FGV e pesquisador do GVAgro. Foi pesquisador do Núcleo de Economia Agrícola (NEA) do Instituto de Economia da Unicamp e atuou como assessor econômico na Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Fernanda Rocha – Pesquisadora do Programa de Finanças Sustentáveis do  GVces. Pesquisa os temas financiamento para agricultura de baixo carbono, economia ambiental e finanças climáticas. Fez um apgrade em Formação em Planejamento Estratégico para a Sustentabilidae pelo The Narutal Step (TNS) e atualmente cursa um programa de mestrado em Direito e Economia das Mudanças Climáticas na Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais (Flasco, Argentina). Bacharel em Administração Pública pela FGV-EAESP.

Leonardo Boscolo Barbosa – Administrador público, especialista em gestão estratégica de negócios e mestrando em administração de empresas, todos pela FGV-AEASP, com mais de 14 anos de experiência em gestão de projetos, nos campos de aperfeiçoamento de gestão em processos, estratégia, inteligência comercial e gestão de riscos em negócios.

Mario Monzoni – Coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV (GVces), responsável pelas atividades de pesquisa, capacitação e comunicação, nas áreas de finanças sustentáveis, empreendedorismo e consumo sustentável, mudanças climáticas, educação para a sustentabilidade e sustentabilidade e inovação.

Maura Campanili – Jornalista pela Fundação Cásper Líbero e geógrafa pela USP, atua há mais de 25 anos na área socioambiental, como repórter para veículos como Agência Estado e revista Terra da Gente. Autora e editora de várias publicações, atua ainda nas áreas de coordenação de comunicação e redes sociais para organizações socioambientais e consultoria de comunicação e meio ambiente.

Paula Peirão – Gerente de Projetos do Programa de Finanças Sustentáveis do GVces. Bacharel em engenharia de produção pela Stanford University, California, EUA, possui especialização em gestão de sustentabilidade pela EAESP-FGV. Foi co-gestora do fundo ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) e ponto focal de sustentabilidade do HSBC.
Sérvio Túlio Prado Júnior – Professor do Departamento de Administração Geral e Recursos Humanos da FGV-EAESP na área de Estratégia de Negócios e pesquisador de temas relativos à estratégia de negócios em private equity no Brasil.

Susian Martins – Pesquisadora do Programa de Política e Economia Ambiental do GVces, tem participado em projetos científicos e técnicos sobre os efeitos das mudanças climáticas na agricultura e estudos relacionados às políticas públicas de incentivo às boas práticas agropecuárias. É membro do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas. Atuou como docente na Pontifícia Universidade Católica de Campinas e no Instituto de Biologia da Unicamp.

 

Histórico

 

Plano ABC

Em 2009, durante a COP-15, em Copenhague, o governo brasileiro anunciou o compromisso voluntário de reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) entre 36,1% a 38,9%, até 2020. No setor agropecuário, o governo prometeu cortar as emissões de GEE entre 133 milhões e 166 milhões de toneladas, de 2010 a 2020, por meio da recuperação de pastagens degradadas e da ampliação da Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAF), do sistema de plantio direto na palha, da fixação biológica de nitrogênio, da área de reflorestamento com pinus e eucaliptos e do manejo de dejetos animais.

O compromisso brasileiro assumido nas negociações internacionais de clima virou lei. A Lei 12.187/2009 estabelece a Política Nacional de Mudanças Climáticas e o Decreto 7390/2010 regulamenta a política e prevê a elaboração de planos setoriais.

Desenvolvido por mais de 100 pessoas, de instituições governamentais, não governamentais e do setor privado, em um processo coordenado por Casa Civil, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), o Plano Setorial de Mitigação e de Adaptação às Mudanças Climáticas Visando à Consolidação de uma Economia de Baixa Emissão de Carbono na Agricultura, conhecido como Plano ABC, que tem abrangência nacional, apresenta o detalhamento das ações de mitigação e adaptação do setor agropecuário.

O Plano ABC é composto por sete programas:

  • Programa 1: Recuperação de Pastagens Degradadas;
  • Programa 2: Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF) e Sistemas Agroflorestais (SAF);
  • Programa 3: Sistema Plantio Direto (SPD);
  • Programa 4: Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN);
  • Programa 5: Florestas Plantadas;
  • Programa 6: Tratamento de Dejetos Animais;
  • Programa 7: Adaptação às Mudanças Climáticas.

Além disso, o plano setorial contempla a abrangência, o monitoramento, as ações transversais, as necessidades e fontes de financiamento e o plano operativo do Plano ABC.

Nesse sentido, o plano contempla a capacitação dos atores, financiamento para pesquisas e, principalmente, a necessidade do monitoramento das ações de mitigação, tanto do ponto de vista financeiro como do ponto de vista da eficiência na captura do carbono.
Estão previstas revisões e atualizações do Plano ABC em períodos regulares e não superiores a dois anos – o que ainda não aconteceu -, para readequá-lo às demandas da sociedade, às novas tecnologias e incorporar novas ações e metas, caso se faça necessário. O plano deixa em aberto ações de adaptação, que deverão ser incluídas em sua primeira revisão, prevista para 2016.

Programa ABC

Para oferecer incentivos econômicos e financiamento para os produtores rurais implementarem as atividades do plano, foi desenvolvido pelo Mapa o Programa ABC, uma linha de crédito lançada no Plano Agrícola e Pecuária 2010/2011, aprovada pela Resolução BACEN nº 3.896 de 17/08/10.

Desde o seu lançamento, em julho de 2010, até abril de 2016, o Programa ABC financiou contratos no total de R$ 12,5 bilhões pelo Brasil. Segundo o Mapa, esse volume corresponde a 60,8% dos R$ 20,5 bilhões programados até julho de 2016.